Estrelas no chão · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 10 de 33

Cantoria da fé - Leandro Gomes de Barros

1 Não sei se o meu verso pobre Neste caso dará pé, Inspiração com verdade Mostra o que é e não é; Devo escrever nesta noite A cantoria da fé.

2 Aceitar ordens do Alto Em meu bestunto é dever. Fé mesmo, fé sem sofisma, Na Terra, não pude ter, Mas se quem pede é quem manda, Só me cabe obedecer.

3 Se eu na Terra fosse um homem Aprofundado na crença, Liquidaria este caso Como quem não fala e não pensa, Mas para falar em fé, Preciso rogar licença.

4 Viver sob confiança Parece cousa de lei, Explicar a razão disso É dom que nunca esperei; Difícil mostrar estrada Pela qual não transitei.

5 Sobre a minha incompetência, Não lastimo, nem me iludo, Fui apenas cantador Sem colégio e sem canudo, No entanto, creio que a fé Sustenta a base de tudo.

6 No mundo, a gente confia Em número, verbo e nome, Confia no comprimido Que se adquire e se toma, No carro que se dirige Ou no curau que se come.

7 As forças vivas da fé Garantem o próprio ser, Mas, hoje em dia, na Terra, Com tanto brilho e saber, A dúvida sem razão Põe muita gente a descrer.

8 O homem mora na Terra Que por si mesma se vira, Não cria minas no espaço Para o ar que ele respira E muitos andam dizendo Que Deus é pura mentira.

9 Alguns escrevem ou falam Contra a crença, contra a prece; O ateu, por si, se rotula No título que merece: Um filho que tem vergonha Do pai que não lhe aparece.

10 Antigamente, a criança Dispunha, no próprio lar, De quem lhe desse atenção Ensinando-a a rezar… Hoje, é muita gente adulta Que nem quer raciocinar.

11 Temos no mundo de hoje A corrida que não cessa, Quando parece que para, A largada recomeça; É guarda, pedestre, carro E buzinadas da pressa.

12 Vendo um amigo ao volante Ameaçado por trás, Tomei forma e fui a ele, Pedindo-lhe prece e paz, Mas ele disse: “Oração? Largue mão disso, rapaz!…”

13 Depois fui auxiliar A um antigo companheiro, Falei-lhe da fé em Deus E ele riu-se, chocarreiro, Dizendo que acreditava Tão-somente no dinheiro.

14 E o mundo prossegue assim, Entre conflitos gerais; Pouca gente fala em Deus, O resto nem pensa mais… A imprensa quer mais cadeias, A rua pede hospitais.

15 O sofrimento campeia: É notícia deprimente, É nova onda de assaltos, É menino delinquente, É rebeldia gritando, É gente matando gente…

16 Dizem que nesse barulho É que o progresso se afina, Mas sem fé onde estará A luz que nos ilumina? Aguardemos a resposta Da Providência Divina. Leandro Gomes de Barros