Escola no Além · Cláudia Pinheiro Galasse · Chico Xavier

Capítulo 6 de 15

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1 Querida mãezinha Dorothy e querido papai Antoninho, Jesus nos abençoe.

2 Prometi voltar aos assuntos de nossa escola do Plano Espiritual e aqui estou com a minha alegria, que se inspira notadamente no trabalho que nos foi confiado.

3 Mãezinha, as nossas crianças excedem o número de cem. Decerto, cumprimos esquemas educativos que nos são enviados semanalmente do Departamento Superior, ao qual devemos respeitosa consideração.

4 Ignoro quais são as bases dos ensinamentos nas faixas etárias, diferentes das que se escalona de meses aos dois janeiros de idade, contados pelo calendário terrestre e, por isso, por enquanto, posso falar apenas com relação a esse setor do mundo infantil.

5 A disciplina aqui em nosso educandário é rigorosamente observada.

6 As crianças, somente meninas, obedecem a horários específicos para leitura, diálogo, conhecimentos gerais de acordo com a capacidade mental que apresentem, mas são favorecidas com excelente música, passeios e hora de recreio, de recreio para o canto imaginado por elas próprias.

7 Todas são proibidas de se entregar a reclamações descabidas e a queixas sem razão.

8 As pequenas atendem a todos os requisitos do Estabelecimento, no entanto, sabem que somente possuem licença para dizer o que pensam através do canto que realizam em comum.

9 Queria que a senhora visse os prodígios de inteligência dessas crianças, nos momentos em que colocam nas cantigas tudo o que lhes vai no espírito, na maioria das vezes, plenamente inconformado.

10 Citarei para o seu conhecimento e conhecimento de outras mães que perderam filhas na primeira infância, de modo a confirmar que a Sabedoria de Deus funciona em toda parte e não esquece ninguém.

11 Passo horas e horas meditando nas cantigas que ouço, todas elas destilando os sentimentos característicos das pessoas adultas da comunidade humana.

12 Aqui segue a queixa sonorizada de uma pequena de dois janeiros:

13 Minha mãe vive sozinha, Pois meu pai vive sem nós.

Eu estava na cozinha Quando perdi minha voz.

14 Tive os braços da vizinha, Nada vi dos dias meus, Quem me tirou da mãezinha, Não conhece quem é Deus.

15 Se estamos no Céu da vida, Quero a casa de meus pais.

Ao ver tanta flor à frente, A saudade aumenta mais.

16 Eu tenho uma professora, Certa jovem muito boa, Que me auxilia e perdoa, Que se choro me adivinha.

17 Ela me diz que serei Novamente uma criança.

Agora tenho a esperança, De voltar para mãezinha!…

18 Aqui não aceito escola, Nem as lições uma a uma, Porque não temos correio, Nem se sabe coisa alguma.