Escola no Além · Cláudia Pinheiro Galasse · Chico Xavier
Capítulo 11 de 15
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1 Querida mãezinha Dorothy e querido papai Antoninho.
Agradeço o bolo e outras lembranças com que comemoraram o meu pobre aniversário. Fiquei muito grata e comovida com o carinho que dispensaram às nossas crianças e às nossas mães do coração, em lhes recordando a presença.
2 Lastimo não merecer tanto amor, no entanto, farei o possível para trabalhar e servir, recuperando o tempo que perdi.
3 Pais queridos, muito obrigada. Mônica e Júnior, Deus os recompense pelos pensamentos de amor e bom ânimo que me enviam.
4 Querida mãezinha Dorothy, conforme prometi, o caso de Verinha, a pequena que voltou à experiência física.
5 A menina estava convicta em voltar à própria família, naturalmente convencida de que regressaria naturalmente à convivência dos seus entes queridos, de modo a prosseguir no mesmo corpo em que habitara transitoriamente.
6 Marcado o dia em que se lhe promoveria a volta, as colegas do Instituto traziam as atenções fixadas em Verinha, arquitetando a festa a que se integrariam na data previamente fixada, para se despedirem da companheira com a possível alegria.
7 Acompanhava as ocorrências com atenção, quando um de nossos Mentores me convidou ao diálogo de serviço, comunicando que me achava designada para acompanhá-la ao novo lar. O encargo era honroso, mas os serviços decorrentes das atividades em perspectiva realmente me confundiam.
8 Autorizada a perguntar ao orientador sobre os temas que desejasse, ousei interrogar-lhe:
— Por que fora eu a escolhida para a tarefa, sendo que não possuía ainda a experiência que supunha necessária?
9 O interlocutor sorriu e afirmou-me:
— Cláudia, você veio para a Vida Espiritual em razão de um acidente que lhe furtou a vida…
10 Consideremos que a assistência à Verinha lhe conferirá valiosa experiência sobre a preciosidade da existência humana.
11 Auxiliando uma criança, em seu renascimento, você observará a importância da vida e fixará novos valores em seus conhecimentos.
12 — E qual será a duração do trabalho de assistência à nossa irmãzinha, que me caberá despender?
— Pelo menos seis meses.
13 — Será preciso um período de tempo longo assim?
— Realmente — falou o chefe — antes do nascimento da menina, você precisará auxiliá-la na solução do problema da compatibilidade ou empatia.
14 Todas as reencarnações diferem umas das outras e a de Verinha exigirá esse trabalho de acomodação entre ela e a futura mãezinha. Você prestará serviço a uma e a outra…
15 — Mas não tenho instruções para agir, no socorro à criança, caso isso se faça necessário…
16 O benfeitor fez um gesto de indulgência e acentuou:
— Essa parte da iniciativa pertencerá aos orientadores e técnicos em reencarnação, aos quais você poderá dirigir qualquer indagação. Não se aflija. Você não estará sozinha.
17 O renascimento de Vera será presidido por amigos experientes na modelagem do corpo futuro a que ela se jungirá, tanto quanto as particularidades desse mesmo corpo, de vez que a nossa Verinha tem muitos méritos adquiridos em reencarnações passadas, quando se destacou na condição de musicista e professora de muitas entidades que lhe devem estima e atenção.
18 Ela precisará de um cérebro tão perfeito quanto possível e necessitará de mãos firmes e dedos longos para a identificação com o piano…
19 — E ela sabe tudo isso? — Indaguei um tanto assustada.
— Não — explicou o Mentor, — os informes que lhe transmito são confidenciais e foram recolhidos na ficha cármica de nossa irmãzinha. Não temos o direito de incomodá-la, por antecipação, quanto ao futuro, que somente a ela pertencerá.
20 De nossa parte, é nossa obrigação facilitar-lhe o caminho, sem inquietá-la com perspectivas que não nos competem vasculhar.
Compreendi tudo aquilo que o orientador desejava dizer e busquei auxiliar a turma para as despedidas.
21 Certa feita, voltei a perguntar ao orientador sobre o destino das outras internas.
— Todas terão de voltar à Vida Física? — Formulei a questão.
22 Ele replicou:
— Nem todas. Algumas esperarão aqui mesmo os pais que virão encontrá-las no futuro e, então, com eles e junto deles, decidirão o que lhes cabe fazer.
23 Fiquei informada devidamente, pois a comunidade das crianças me interessava vivamente, quanto ao amanhã de todas elas.
24 Marcado o dia para o “até breve” de Verinha, reuniram-se todas para uma canção de homenagem.
25 Era um quadro enternecedor observar as meninas de mãos entrelaçadas, mantendo a pequena Verinha em meio da roda afetiva.
26 Sob a atenção de todas nós que éramos consideradas funcionárias do Instituto, depois de músicas cariciosas e lindas, executadas pelas meninas mais experientes, a roda se desfez naturalmente e se via na face da homenageada a alegria e a emoção de que se via possuída.
27 As pequenas haviam escolhido a música antiga do interior para servir de estribilho às quadras que, uma a uma, deveriam compor e apresentar.
28 Não posso, mãezinha Dorothy, repetir as quadras todas porque apenas detive algumas na memória, mas, mesmo assim, transmiti-las-ei para seu conhecimento e conhecimento de outras mães. Todas na roda a movimentar-se em torno da pequena Vera, cantaram em coro:
29 A – e – i – o – u, Aprendemos no á-bê-cê.
Verinha, você não sabe Quanto amamos a você.
30 Temos tudo nesta escola Onde o apoio não se atrasa.
No entanto, espero algum dia, Regressar à minha casa.
31 Verinha, guarde o sinal Para achares quem me ama.
É a minha boneca Fausta, Que deixei em minha cama.
32 Estava com sarampo, Quando em febre adormeci.
Até hoje não conheço, Quem me trouxe para aqui.
33 Verinha, ouça em paz, A força de nossa voz.
Nós te pedimos, apenas, Que não te esqueças de nós.
34 Na sua partida, hoje, A saudade aumenta mais.
Mas tenho a grande esperança, De um dia rever meus pais.
35 Minha mãe sempre falava, Que a mágoa pior da vida, É a dor que todos sentimos, Na hora da despedida.
36 Nossa Verinha se vai, Procurando o que mais quis.
Deus lhe dê ao coração, Um lugar lindo e feliz.
37 A – e – i – o – u, Aprendemos no á-bê-cê.
Verinha, você não sabe Quanto amamos a você.