Esperança e luz · Autores diversos · Chico Xavier
Capítulo 15 de 21
Rogativa - Castro Alves
1 No Golfo Pérsico é noite… Revejo a nuvem da guerra, Pairando, acima da Terra, A espalhar-se na amplidão…
2 No bojo dos grandes barcos, Em mesas enfileiradas, Ouço frases cochichadas Exprimindo inquietação.
3 Nos guerreiros veteranos, Há silêncio, não há voz…
4 E vendo luz ao meu lado Entro na bênção da prece, Pedindo a Deus, Fortaleça a todos nós.
5 Fitando o Alto, eis que imploro: “Ah! meu Pai, por que, meu Deus, Por que deste tanto ódio, Aos teus filhos e irmãos meus?”
6 Sem que ninguém saiba de onde, A voz dos Céus nos responde: “A todos damos amor!…”
7 Invoco então Jesus-Cristo, Amado Mestre e Senhor: “Jesus, ante o teu Natal, Livra-nos sempre do mal.”
8 E o Mestre disse em voz alta: “Para o Bem nada nos falta Amparai-vos uns aos outros, Amai-vos qual vos amei.”
9 Sei que o conflito iminente Pode surgir de repente…
10 De espírito transformado Operando mentalmente Volto ao meu próprio passado… Vejo a Guerra das Cruzadas, Homens munidos de espadas Montam soberbos corcéis; Crianças abandonadas Procuram mães desoladas, Sofrendo golpes cruéis!…
11 Eis-me também nas Cruzadas… A guerra é longa e sangrenta, O Homem não se contenta, Crê no ódio, mais e mais; Nada suprime a matança, Morre a paz sem esperança, Gerando embates fatais… A batalha continua…
12 Volto a Jesus e pergunto: “Como agir? Dize Senhor, Perante o desequilíbrio De nossos irmãos do mundo, Rogamos que nos definas Com Tuas lições Divinas: Que fazer, perante a Lei?”
13 Fala, entretanto, o Senhor, Quando a vida se desmanda Precisamos cultivar mais trabalho, Mais perdão e mais amor.
14 A guerra prossegue intensa, Os homens nos lembram feras No caminho de outras eras Sem Luz, sem Paz e sem Crença…
15 E em vilarejo distante, embora vitorioso, O Rei Luiz cai exangue E morre em poeira e sangue Ferindo o mundo cristão!…
16 Tantas lembranças amargas!… Afasto-me do terror, Sempre o ódio em tantas cenas!… Para ilações mais serenas Em torno do hórrido evento Coração em sofrimento Mergulhado em grande dor!…
17 Quero pensar livremente, Não suporto a grande luta; Retiro-me quando escuto Alguém a dizer-me, claro: “Em Deus não há desamparo!…”
18 O mensageiro da Luz Pedia-me paz e fé, Na bênção do Herói da Cruz. Consciente, ansioso e aflito, Procuro guardar-me em prece, Na paz de que necessito; Vejo em torno a Natureza, Tudo é Esperança e Beleza!…
19 O vento brinca na areia… Noto onde o solo se alteia, Terra verde e céu de anil!… A dor quase me enlouquece, Mas em paz reflito em prece: — Deus nos preserve o Brasil. Castro Alves (Poema recebido em reunião pública e comemorativa do Centro Espírita União, em São Paulo, na noite de 17 de outubro de 1990.)