Diálogo dos vivos · Autores diversos. — F. C. Xavier / J. Herculano Pires · Chico Xavier
Capítulo 26 de 34
Preâmbulo de Francisco C. Xavier/Palavras de bom-ânimo - Ao cultivador do bem/Cruz e Souza - A voz da experiência/Irmão Saulo
Francisco Cândido Xavier Envio-lhe o soneto que nos foi dado pelo poeta Cruz e Souza, muito lembrado por nós, num grupo de amigos, na véspera da sessão em que nos visitou. Alguns companheiros, entre eles senhoras da Guanabara, falavam sobre a possibilidade de recebermos mediunicamente uma página do poeta. Um dos participantes da nossa conversação expressava o desejo de obter de Cruz e Souza algumas palavras de bom ânimo, em vista dos tropeços que vem atravessando na seara da fé, ante o trabalho de fraternidade que lhe foi confiado. No dia seguinte as nossas irmãs do Rio nos convidaram para ligeiro culto de oração. Para centralizar os pensamentos na prece, recorremos à leitura de O Evangelho Segundo o Espiritismo que nos ofereceu o item 15 do capítulo XVIII para meditação. Ao término do nosso ligeiro encontro espiritual, o nosso amigo Cruz e Souza veio até nós e deu-nos o soneto evidentemente dedicado em espírito ao amigo que esperava por ele. Sentindo que esse apelo nos serve a todos, passamo-lo às suas mãos. AO CULTIVADOR DO BEM Cruz e Souza
1 Companheiro da Terra!… Companheiro, Não te doa servir no solo obscuro, Resguarda o sonho luminoso e puro Sob os clarões do júbilo primeiro…
2 Vara lama, canícula, aguaceiro, Vence o caminho áspero e inseguro, Plantando o Bem nas leiras do Futuro, O trigo excelso do imortal celeiro!…
3 Sofre, mas segue além das próprias dores, Sê bondade e perdão por onde fores, Olvida em prece o espanto que te invade.
4 Serve, tropeça, ergue-te e confia, E encontrarás as fontes da alegria Nas colheitas de luz da Eternidade.
A VOZ DA EXPERIÊNCIA Irmão Saulo Fala a voz da experiência neste soneto de Cruz e Souza.
Quem conhece a vida do poeta facilmente o reconhece nestas estrofes. Negro e pobre, arredio, fugindo às glórias ilusórias da Terra, sofreu na carne as provas do exílio e morreu tuberculoso. Seu talento fulgurante e sua poesia exponencial só foram reconhecidos depois da sua morte. Era o poeta maior do nosso Simbolismo e não o reconheceram em vida. Ele mesmo se retratou no soneto “Vida Obscura”, como se vê no seu primeiro quarteto:
“Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro, Ó ser humilde entre os humildes seres.
Embriagado, tonto de prazeres, O mundo para ti foi negro e duro.”
“Morre com o teu Dever. Na alta confiança De quem triunfou e sabe que descansa Desdenhando de toda a Recompensa!”