Depois da travessia · Autores diversos e Luiza Xavier · Chico Xavier

Capítulo 63 de 98

Saudações de João-de-Barro - Casimiro Cunha

1 De minha casa de barro,

14121946 Cheia de paz e de amor, Eu venho saudar convosco, Nosso antigo benfeitor.

2 Trago os filhotes comigo, Em trajes de festival, Compartilhando a alegria De um natalício imortal.

3 Vimos do abrigo amoroso, Dos cimos da prateleira, Entramos pela janela Num galho de trepadeira.

4 Como esquecer a voz terna Repassada de carinho, Que conversava conosco Na solidão do caminho?

5 Como olvidar a mão clara, Que tudo fazia certo, Quando vinha docemente Encorajar-nos de perto?

6 Grande amigo! Muitas vezes, Deixava o salão dourado Para buscar-me o lar rude, Pobrezinho, desprezado.

7 Por que fôssemos humildes, Trabalhando em terra escura, Nunca deixou de tratar-nos Com carinho, com ternura.

8 Pobre operário que eu sou, Falava-me ao coração, Ensinava meus filhinhos A terem educação.

9 Chamado às honras do mundo E às ambições da riqueza, Preferiu viver conosco Na sombra e na singeleza!…

10 Espalhava em nossa casa As bênçãos e os dons divinos. Sabia exaltar no mundo A glória dos pequeninos!

11 Professor, recebe agora Nossa eterna gratidão! Que um passarinho também Tem alma, tem coração! Casimiro Cunha [1] A data no livro impresso é 18121946, mas vide a que consta nos livros “Sementeira de paz” Saudação de João de Barro e no “Sementeira de luz” Oração a João de Barro.