Chico Xavier, a aurora de uma vida entre o Céu e a Terra · Autores diversos subscritos por F. Xavier · Chico Xavier

Capítulo 84 de 90

83

1º de fevereiro de 1933.

1 Chocam-se, na atualidade, todos os elementos que se empenham em lutas gigantescas. Sofrem as almas sob as provações mais dolorosas.

2 Grandes hecatombes arruínam a vida do indivíduo e da sociedade, e nos templos de pedra sente-se um frio que sufoca os entusiasmos da fé e os anseios da esperança.

3 A paz é uma mentira em toda parte e por todos os recantos ouve-se o grito coletivo das multidões: “Nós sofremos!”

4 Pesa uma ansiedade sobre os corações e a dor continua apertando o cerco, revigorando a crise ameaçadora que se apresenta debaixo de todos os aspectos no vasto campo da atividade humana.

5 E em meio aos desastres e aos fracassos o Espiritismo é luz da razão e do Evangelho de Cristo.

6 É a mensagem da esperança, dilatando os horizontes da vida e esclarecendo as anomalias que, impropriamente, costumamos atribuir ao destino.

7 É uma luz que percorre o caminho cheio de sombras. E para aqueles que a conduzem há uma pedra e uma tentação a cada passo, um desconhecido sempre repleto de ciladas e de perigos, aos quais, muitas vezes, não se resiste.

8 Tudo em nosso mundo é relativo e limitado. As nossas forças não escapam a essas leis.

9 É assim que, inúmeras vezes, caímos, olvidando as nossas obrigações e deveres, porém a verdade é sempre a verdade e para que triunfe prescinde do concurso das nossas fraquezas.

10 Todavia, os mensageiros divinos esquecem os nossos defeitos, alargando, carinhosamente, as nossas possibilidades para o bem, e perdoando, generosamente, os nossos erros e desvios, prosseguem como arautos da nova era de redenção que se anuncia, dignando-se a perdoar a insuficiência e a imperfeição dos seus pobres colaboradores na difusão da verdade.

11 Porém nós, a quem está confiada a tarefa de veicular as sublimes realidades da época de renovação, precisamos vigiar, na hora que passa, para que venhamos a cair menos vezes na estrada do nosso progresso comum.

12 Por mais desinteressados e bem-intencionados que sejamos, as tentações se nos apresentam como terríveis surpresas e após o sono que dormimos criminosamente entre os seus tentáculos o despertar é sempre horrível e doloroso.

13 Quase todos nós conhecemos essas experiências amargas!

14 Vigiemos, portanto, em nossos pedregosos caminhos e confiemos em Jesus, nas fainas abençoadas do Espiritismo evangélico, que é para a humanidade, nestes dias de amargura, a mensagem da esperança e da consolação.

F. Xavier