Caminho, Verdade e Vida · Emmanuel · Chico Xavier

Capítulo 45 de 181

O cego de Jericó

“Dizendo: Que queres que te faça? E ele respondeu: — Senhor, que eu veja.” — (LUCAS, 18.41)

1 O cego de Jericó é das grandes figuras dos ensinamentos evangélicos.

2 Informa-nos a narrativa de Lucas que o infeliz andava pelo caminho, mendigando… Sentindo a aproximação do Mestre, põe-se a gritar, implorando misericórdia.

3 Irritam-se os populares, em face de tão insistentes rogativas. Tentam impedi-lo, recomendando-lhe calar as solicitações.

4 Jesus, contudo, ouve-lhe a súplica, aproxima-se dele e interroga com amor:

— Que queres que te faça?

5 À frente do magnânimo dispensador dos bens divinos, recebendo liberdade tão ampla, o pedinte sincero responde apenas isto:

— Senhor, que eu veja!

6 O propósito desse cego honesto e humilde deveria ser o nosso em todas as circunstâncias da vida.

7 Mergulhados na carne ou fora dela, somos, às vezes, esse mendigo de Jericó, esmolando às margens da estrada comum.

8 Chama-nos a vida, o trabalho apela para nós, abençoa-nos a luz do conhecimento, mas permanecemos indecisos, sem coragem de marchar para a realização elevada que nos compete atingir.

9 E, quando surge a oportunidade de nosso encontro espiritual com o Cristo, além de sentirmos que o mundo se volta contra nós, induzindo-nos à indiferença, é muito raro sabermos pedir sensatamente.

10 Por isso mesmo, é muito valiosa a recordação do pobrezinho mencionado no versículo de Lucas, porquanto não é preciso compareçamos diante do Mestre com volumosa bagagem de rogativas. Basta lhe peçamos o dom de ver, com a exata compreensão das particularidades do caminho evolutivo.

11 Que o Senhor, portanto, nos faça enxergar todos os fenômenos e situações, pessoas e coisas, com amor e justiça, e possuiremos o necessário à nossa alegria imortal. Emmanuel