Claramente vivos · Familiares diversos · Chico Xavier

Capítulo 13 de 14

Pedaço de terra para cultivar esperanças

1 Querida mãezinha, abençoe seu filho, antes de conversarmos.

2 A relação das saudações está feita num abraço à Júlia e a todos os corações que nos compartilham a felicidade do reencontro marcado em lápis e papel.

3 Comigo estão a vovó Laudelina, a tia Nenê, a irmã Sílvia, o nosso amigo Henrique e outros muitos que saúdam a todos.

4 Creia, mamãe, que seu filho está quase confundido. Parece-me estão fazendo exame no Educandário Goiás ou no colégio Dom Bosco, de ânimo desafiado pelo olhar benevolente de muitos amigos que me observam; naquelas casas de ensino, era avaliado pelo grande aproveitamento nos estudos.

5 Aqui, certamente, sou eu quem pede aos meus examinadores para me conferirem apenas os sentimentos.

Lá em Goiás, era eu o aluno, precisando demonstrar habilitação; aqui, sou o filho querendo colo para contar o que me vai no coração.

6 No meu caso, seriam maroteiras de rapaz ainda imaturo, mas sei que os amigos sabem que as mães e os filhos conversam numa língua diferente e, por isso creio ser perdoado por todos, se disser que venho ao encontro de sua saudade para fazermos da nossa carência de alegria pela ausência compulsória a que fomos submetidos pela morte do corpo, em serviço cada vez mais ativo.

7 Por isso, querida mãezinha, aqui está me parecendo mesmo é um pedaço da fazenda Redenção, que pensei poder desfrutar e que cheguei a ver uma vez para cultivar esperanças que vinham desabrochar em outro mundo.

8 Era um rapaz como tantos, que anseiam estudar e compreender a vida para se tornarem mais úteis, e é justamente isso que nós havemos de fazer com que ele compreenda.

9 Ninguém pode avaliar a importância de uma bolsa de estudo para um jovem ou para uma jovem que acham as dificuldades financeiras por pedras quase insuperáveis no caminho, como poucos refletem no valor de uma xícara de leite para uma criança de estômago vazio, que vê a chegada da noite sem qualquer esperança.

10 A morte ensinou muita coisa a seu filho, como a separação nos fez recordar os que andam sem apoio de alguém.

11 Para sorrirmos um pouco, lembro-me de que me achava certa vez em Buriti Alegre, num dia de festas, quando um cantador da roça expôs na praça uns versos, que não mais esqueci. Disse ele, na viola:

12 “Eu já fiz muita tenção Que nunca pude realizá; Agora, fiz juramento, Que já não posso quebrá; Pois já tenho visto coisas Que não posso acompanhá.”