Coletânea do Além · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 39 de 72

No escândalo da cruz - Emmanuel

1 Finda a crucificação, espraiou o Mestre o olhar pela turba inconsciente. As opiniões contraditórias do povo alcançavam-lhe os ouvidos.

2 Ocultavam-se os beneficiários de seu amor. Era constrangido, agora, a permanecer entre o insulto dos acusadores e o escárnio da multidão.

3 Angustiado, identificava a maioria dos semblantes.

4 Ali, comprimiam-se pessoas da cidade que lhe conheciam a missão divina; mais além, acotovelavam-se romanos aos quais socorrera, generoso, ou romeiros de regiões diversas, que lhe deviam favores e benefícios.

5 Quase todos haviam comparecido à festividade de sua entrada triunfal em Jerusalém, comentando-lhe o feito, na ressurreição de Lázaro, ou recordando-lhe, entusiasmadamente, a virtude, a cooperação, o ânimo e o serviço.

6 Não haviam decorrido muitas horas e as mesmas bocas ridicularizavam-no, sem piedade.

7 — Por que não reagira, em recebendo a ordem de prisão?

8 — Não seria razoável a fuga dos discípulos diante de sua tolerância em frente aos sequazes dos sacerdotes?

9 — Não salvara a tantos? Por que não remediara a si mesmo?

10 — Ensinara a resistência ao crime e às tentações… Por que se entregava, assim, como desordeiro vulgar?

11 — Não seria vergonha atender a missionário como aquele, incapaz de qualquer reação? Entretanto, um dia, indignara-se no templo, perante os mercadores infiéis…

12 — Que razões o moviam a não recorrer à justiça do mundo?

13 — Contrariamente, a toda expectativa, aceitar a prisão sem resistência!

14 — Deixou-se conduzir como criança pela pior companhia, submeteu-se aos açoites e bofetadas…

15 — Deixou-se vestir de uma túnica escandalosa, ele que era simples e sóbrio por excelência, nem reclamou contra os espinhos com que lhe coroaram a fronte…

16 — Aceitou a cruz como se a merecesse e, por fim, ó ridículo supremo!, não se revoltou quando o exibiram no madeiro, seminu, sob apupos e gargalhadas…