Coletânea do Além · Autores diversos · Chico Xavier
Capítulo 36 de 72
A divina lição - Casimiro Cunha
1 Quando o Grande Processado Ouviu a condenação, O povo esperava, aflito, Os gestos de reação.
2 Não se dizia emissário Da majestade de Deus? Por que dobrar-se humilhado À tricas de fariseus?
3 Não se afirmava o Senhor? Não era o Divino Mestre? Por que curvar-se à injustiça No campo da dor terrestre?
4 Fala-se que Jesus Era o Caminho, a Verdade, A Vida Vitoriosa No seio da Divindade…
5 Entretanto, pobre e humilde, Em face da multidão, Era Ele tido à conta De feiticeiro e ladrão.
6 Vencido e dilacerado, O sangue a empapar-lhe a fronte, Contemplava, angustiado, A fímbria azul do horizonte.
7 O povo, porém, não via Nem milagres, nem sinais… Onde o socorro divino Das hostes celestiais?
8 Martírios e bofetadas. E o Mestre não reagia, Suportando a cruz pesada Na túnica da ironia.
9 Que fazia o Condenado? Por que não pedir dos Céus Incêndios, misérias, pragas, Flagelações, escarcéus?
10 Onde os carros poderosos De Jesus de Nazaré?
Onde as armas e soldados Pela paz da nova fé?
11 O Justo, porém, na cruz, Ouvindo perguntas mil, Viu que a turba inda era frágil Ignorante e infantil.
12 E o Mestre, fitando os Céus, Deu a divina lição Do amor que redime a vida No silêncio e no perdão. Casimiro Cunha