Conversa firme · Cornélio Pires · Chico Xavier

Capítulo 21 de 21

Vivos e mortos

1 Você meu caro Antonino, Pergunta com seus cuidados Por que se faz tão difícil Ouvir os mortos amados.

2 E acentua: — “Sempre tive Muitos amigos no Além Entretanto, peço, peço… Chamo e não vejo ninguém.

3 “Que dizer Cornélio amigo, Desta busca inacabada? Faço preces, grito nomes, Depois… é silêncio e nada…”

4 Entendo prezado amigo, Toda a sua inquietação, Mas ouça: somos quais somos E as cousas são como são!…

5 Tudo espera tempo próprio Onde o melhor se processa… A verdade surge aos poucos Sem ocupar-se da pressa.

6 Atendendo à luta humana, Que dá tanto que pensar O homem, ao pé da morte, Raciocina devagar.

7 Por outro lado, as ideias, Que a Terra criou no caso, Nas portas do grande assunto Despejou montões de atraso.

8 No mundo, lembra-se a morte, E temos pessoas pasmas, Falando em luto, agonia, Cinzas, pedras e fantasmas!…

9 Isso cria tanto entrave, Tanta sombra e tanta trica, Que os vivos do Além não acham A ligação com quem fica.

10 Basta que um morto qualquer Dê sinal ou reapareça E alongam-se fantasias Tisnando muita cabeça.

11 Recorde: Joana, a viúva Do Marciano Toledo Chamava o esposo e ele vindo A moça tombou de medo.

12 Tonho quis ver o irmão morto E ao tê-lo junto de si, Gritou e caiu de susto Na estrada de Mandaqui.

13 Desejou ver o pai morto O nosso amigo Aristeu, Um dia, o rapaz, ao vê-lo, Desmaiou e adoeceu.

14 Após a morte do tio Totó buscava encontrá-lo, Notando o tio na roça Totó caiu do cavalo.

15 Marina chamava o esposo, O falecido Teotônio, Vendo o marido, a mulher Dizia que era o demônio.

16 Júlia pedia ao marido Auxílio num grande apuro, O finado apareceu Ela rezou no esconjuro.

17 Sabino encontrou em prece Um irmão já desencarnado, Gritou, chorou… Depois disse Que estivera alucinado.

18 Perdeu Silvino a mulher… Quis vê-la, a Dona Ceição, Tendo a esposa junto dele Clamou que era assombração.

19 Zelão contou haver visto A noiva desencarnada… Chorou, mas disse, em seguida, Que era tudo patacoada.

20 Chamava o esposo, a Cecília, Mulher do Janjão Salerno, Vendo o finado, a viúva Mandou Janjão para o inferno.

21 Doca chamava o pai morto Em frases de imenso amor… Quando o pai voltou a ela, Falou que era obsessor.

22 Ante os problemas da morte São muitos tropeços juntos, E a verdade pede ao tempo Que lhe prepare os assuntos…

23 Não se agaste, caro irmão, O mundo é um contraste em si: Os vivos buscando os mortos E os mortos andando aí!… Cornélio Pires