Conversa firme · Cornélio Pires · Chico Xavier
Capítulo 18 de 21
Obsessão no Além
1 Deseja você saber, Meu caro Amarílio Sá O que há na obsessão Vista do lado de cá.
2 Posso informar a você Que estes casos tais quais são Seja na Terra ou no Além, São assuntos de paixão.
3 O ódio é amor selvagem, No que exige e não alcança, Afeto quando egoísta Insatisfeito é vingança.
4 Orgulho é amor a si mesmo, De maneira desastrada, Ciúme — amor possessivo Que fere a pessoa amada.
5 Vaidade — amor ao poder, Na indiferença ante o bem, Opinião que domina E não atende a ninguém.
6 Desencarnando na Terra Estamos por dentro a sós, Por isto, a morte revela O que trazemos em nós.
7 Espírito libertado Sem dúvida e sem talvez, De imediato no Além, Está naquilo que fez.
8 Em razão disto, meu caro, Céu ou luz, algema ou lama, Desencarnando a pessoa Tem aquilo que mais ama.
9 Há quem se agarre com gente, Com sítios, nomes, partidos, Empresas, casas, remorsos E sombras de tempos idos.
10 São muitos os casos tristes Nessa larga desventura, Porque a lei manda se ache Aquilo que se procura.
11 Você recorda João Nico, Envenenou Maristela; Morreu mas vive na roça, Chorando na casa dela.
12 Perfurado por Toninho Finou-se Joaquim da Torra, Mas Joaquim desesperado Vive atolado em desforra.
13 Caçava como ninguém Nosso amigo Merengueiro, Largando o corpo na Terra, Anda atrás do perdigueiro.
14 Nicósio viveu colado A grande barril de pinga Morreu e bebe sem pausa, E grita, blasfema e xinga.
15 Sempre agarrada a conforto Faleceu Joaquina Fraza, Mas vive atrelada à cama E espanta o povo da casa.
16 Escravizado à fazenda, Quintino de Maritacas, Sem corpo, vive no campo, Cuidando de bois e vacas.
17 Presa à tarefas de granja, Desencarnou Mariquinhas… De tanto gostar de frangos Vive assombrando as galinhas.
18 Ligado às antiguidades Lá se foi Marcos Dirceu, Hoje encontrei-o na sombra: É um fantasma de museu.
19 Obsessão, meu amigo, Traçada em linhas gerais, É sempre desequilíbrio No apego quando é demais.
20 No assunto, lembre Jesus Na luminosa lição:
— “Onde se guarda um tesouro, Tem-se aí o coração”. Cornélio Pires