Correio fraterno · Autores diversos · Chico Xavier
Capítulo 47 de 61
O divino encontro - Alma Eros
1 Viajor!… viajor!…
No oceano da vida, Muita vez, tua voz, Misturada de pranto, Clama a Presença Divina…
2 Entretanto, Basta que surja uma ilha sedutora Para que te detenhas muitos anos, No cipoal das sensações efêmeras, De bússola abandonada, De leme esquecido, De navio ancorado em sombra…
3 Descuidado e feliz, Observas, não longe, Terremotos de dor compelindo-te à volta ao mar. Lembras-te, então, de novo, E imploras, angustiado, a Presença Divina…
4 Todavia, Basta que um companheiro te provoque À disputa infeliz Para que te projetes na água turva, Fora da embarcação.
5 Torturado, bracejas, Entre os monstros do abismo, Não podes repousar, Senão momentos breves Entre braços de rocha A emergirem do fundo…
6 E após dias de dor, De sede, fome e sono, Ganhas a praia extensa, — Um deserto areal…
Nem árvores, nem fontes, Apenas ervaçais Onde a serpente mora, Aguardando-te os pés.
7 Foges, espavorido, Esfarrapado e só, E, quando a ventania Improvisa o sepulcro Que te espera, por fim, De corpo verminado, Apodrecido e nu, Sem bússola, sem nau, Sem âncoras no porto, Sem a voz de ninguém Que te console ou guie, Agarras-te à fé viva E gritas para o Céu:
— Senhor! Senhor! Senhor!…
8 Então, e só então, Sentes no coração Que soluça e que ri A voz, a Grande Voz que te renova o “eu”: — Não temas, filho meu, Espera!… Estou aqui.
Alma Eros