Correio fraterno · Autores diversos · Chico Xavier
Capítulo 33 de 61
Bem-aventurado anônimo - Alma Eros
1 Bem-aventurado anônimo, Ninguém te viu a mão vigilante e sábia Quando semeavas a leira escura Para que todos tivessem pão, Nem te observou o esforço enorme, Quando abrias caminho à água distante Para que a sede não aniquilasse os homens da Terra!
2 Olhos humanos não te fixaram, Quando levantaste o companheiro abatido, Quando suportaste o espinho dos maus, Chorando em silêncio para que outrem não chorasse.
3 Gastaste muitos anos, Tecendo ninhos para as alheias asas, Levantando palácios fulgurantes Que jamais te acolheriam…
4 De mãos votadas Ao labor mais humilde, Traçaste roteiros Dentro da Natureza agreste, Ergueste cidades e parques Para a alegria de todos.
5 Ninguém te conheceu, nem louvou…
6 E quase todos Que se rejubilaram nos benefícios, Através de teu suor, Acreditaram que te bastavam As moedas que lhes sobravam na bolsa E esqueceram-te para sempre.
7 Entretanto, Observas, mudo, Que os grandes arautos do morticínio Eram anunciados com ruído No caminho das nações…
Muitos dos que destruíam as obras do bem E os que falseavam a verdade Eram incensados no galarim da fama, Por milhões de vozes sedentas de poder!…
8 Bem-aventurado anônimo! Bem-aventurado anônimo, E quando a morte chegou A gratidão terrestre não veio socorrer-te, Ninguém apareceu para enxugar-te o pranto. Para os irmãos que te deviam Não passava teu nome de palavra sem eco… Somente a caridade Envolveu-te em seu manto…
9 Mas, ó trabalhador desconhecido! Para teus ouvidos venturosos, Soou, na imensidão dos céus, A frase inesquecível:
— Vem a mim, servo bom e fiel!
10 Num transporte de júbilo indizível, Reconheceste, então, A grandeza das vidas pequeninas, A glória das tarefas obscuras, Descobriste a ti mesmo nas alturas, E, atravessando as amplidões divinas, Abençoaste os dias teus, À luz do Grande Anônimo que é Deus. Alma Eros