Correio fraterno · Autores diversos · Chico Xavier
Capítulo 15 de 61
De quem seria? - Manoel Monteiro
1 Afinal, meus irmãos, de quem seria o crime? Daquele, cujo braço impôs a morte Ao coração de alguém?
Ou desse mesmo coração caído, Que inerte e mudo agora se mantém?
2 A quem se atiraria a mancha em rosto? À vítima tombada? ao verdugo suposto? Ou será que outro alguém.
É o verdadeiro autor dessa agonia alheia, Escondido na sombra, À feição de uma aranha em sua própria teia?
3 Compreendido, porém, Que o crime sempre nasce De uma ideia feroz, Quem teria pensado nele, antes? Os outros? Talvez nós?
4 Quem lhe teria dado a forma de começo Na roupagem de alguma frase louca? O inimigo, o vizinho, o companheiro Ou nós mesmos com a nossa própria boca?
5 De permeio à incerteza e à insegurança, Sem que se saiba, ao certo, onde a culpa é nascida, Transformemos o amor numa fonte perene Que dissipe na Terra as angústias da vida.
6 E se alguém surge em falta, Recordemos Jesus, onde a censura medra: — Aquele que estiver sem sombra de pecado, Lance a primeira pedra.
Manoel Monteiro