Correio fraterno · Autores diversos · Chico Xavier
Capítulo 13 de 61
Ao entardecer - Alma Eros
1 Mais tarde, servo que descansas, Quando a sombra envolver-te os olhos fatigados, A noção do tempo crescerá em tua alma E o senhor da Vinha Dir-te-á do monte da consciência:
2 — Que fizeste da manhã cheia de luz? Onde guardaste os raios do sol, As gotas do orvalho, As sementes divinas, O arado amigo e realizador?
3 Que fizeste do meio-dia rutilante Onde deixaste Os rebentos novos, As flores opulentas, Os frutos generosos, A dádiva do suor?
4 Contemplarás as mãos vazias, Suportarás o coração tocado de remorso E dirás, em, obediência Ao antigo hábito de enganar a ti mesmo:
5 — O Sol causticante crestou a terra de meu campo, Chuvas copiosas trouxeram imensas inundações… Vermes invasores destruíram a erva tenra, Serpentes venenosas atacaram-me os pés.
6 Aos espinheiros que se erguiam acima do solo Respondiam pedras embaixo, Anulando-me a tarefa…
7 Se surgiam alguns brotos na encosta, A lama descia célere…
8 Se rebentos humildes vinham à planície, Os detritos da serra Formavam pântanos implacáveis Aniquilando-me a sementeira.
9 Que poderia fazer, então, Se todos os perigos da Natureza congregavam-se contra mim?
10 O Senhor da Vinha, porém, Ouvirá complacente E, antes de tornar Ao seu próprio trabalho, No campo universal e infinito dos séculos, Responderá:
— Não te queixes.
O sol causticante, A chuva torrencial, Os vermes e as serpentes, Os espinhos e as pedras, A lama e o pântano, Eram as ferramentas que te dei… Mas… espera! Outro dia virá!…
11 Tentarás justificar-te, inda uma vez; Todavia, O último raio de sol despedir-se-á do céu E o rosto do Senhor Desaparecerá no grande silêncio. E então errarás de vale em vale, de montanha em montanha, Sangrando o coração sob ríspido açoite, Angustiado e sozinho, Porque no teu caminho Reinará, longo tempo, enorme e espessa noite!… Alma Eros