Caminhos de volta · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 15 de 41

Preâmbulo de Francisco C. Xavier/Um quadro de lágrimas - Gênio enfermo/Epiphanio Leite

Visitamos, ontem, com alguns amigos, um pequeno, de doze a treze anos de idade, em cidade próxima. Mudo e completamente inibido na vida mental, apenas chora e emite sons ininteligíveis. De volta ao lar, ainda impressionados com a prova dessa criança em grande luta espiritual, reunimo-nos em prece. Ligeiro culto de oração, recordando o quadro de lágrimas que víramos. O Livro dos Espíritos ofereceu-nos para reflexão a questão 371. Depois da leitura e rápidos comentários, o poeta Epiphanio Leite trouxe-nos o soneto “Gênio Enfermo”, em clara correlação com o problema do menino em sofrimento.

GÊNIO ENFERMO (Versos ao culto amigo que espalhava ateísmo e violência, através da palavra falada e escrita, na última década do século XVIII, suscitando rebeldia e delinquência, e que, presentemente reencontrei, na condição de Espírito em reajuste, na provação da idiotia.)

1 Lembro-te, caro amigo… O gênio agindo às cegas, Lanças violência e fel nas multidões que arrastas.

Ouço-te na memória as negações nefastas…

Escreves e destróis… Falas e desagregas…

2 Quanto crime a surgir dos princípios que pregas!…

Um dia, vem a morte ao campo que desgastas…

No Além, sofres a culpa de que não te afastas, Rogas socorro ao Céu nos grilhões que carregas…

3 Agora reencontrei-te em aldeia remota.

Habitas outro corpo e choras mudo e idiota…

Ah! quanto sinto a luta em que te vejo imerso!…

4 Mas louva a provação que te aponta o futuro.

Na dor, terás de novo o pensamento puro, Refletindo, em ti mesmo, as bênçãos do Universo.

Epiphanio Leite