Caderno de mensagens · Autores diversos · Chico Xavier
Capítulo 61 de 89
Reajuste - Valentim Magalhães
1 — “Dom Ramon, tenho fome e a noite me apavora!…” Ante o pobre a chorar, Dom Ramon diz, mordente: — “Não abro meu solar à penúria insolente, Nem dou pão a ninguém!… Malandro, caia fora!…”
2 O fidalgo era assim orgulhoso e inclemente… Um dia, a Morte veio e lhe faz ver a hora. Dom Ramon esperneia, acusa, grita, chora, Mas a Morte o carrega em funeral luzente…
3 Acordando, no Além, nas trevas da avareza, Pede provas de fel, quer vida de pobreza, Sem privilégio algum dos recursos de outrora!…
4 Renasce e, certa noite, em triste cor de cera, Grita, junto ao solar que já lhe pertencera: — “Socorro!… Tenho fome e a noite me apavora!…” Valentim Magalhães [1] O manuscrito desse soneto encontra-se sob a custódia do Dr. Eurípedes Higino, filho adotivo do Chico.