Cartas do Alto · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 34 de 85

Gula e avareza - Cornélio Pires

1 Obsidiado em casa, Nhô Cordeiro Comia angu e sopa de gamela, Mas levado à sessão em Vila Bela Melhorava, rezando o dia inteiro.

2 Já quase são, ouviu da irmã Biela: — “Se quer ter mais saúde, companheiro, Ajude alguém!… Reparta algum dinheiro, Dê de seu prato aos órfãos da favela!…”

3 Ouvindo esse conselho, o velho, aflito, Começou a berrar que nem cabrito.

E gritou: — “Ninguém toca a minha renda!”

4 E preferiu morrer, largado e louco, Mastigando farelo, barro e coco, Debruçado num cocho da fazenda.

Cornélio Pires Reformador — Julho de 1967.

[1] No livro impresso: “Ninguém topa a minha renda!” [2] Segundo consta do original, o soneto foi recebido em reunião pública da Comunhão Espírita Cristã, na noite de 22/04/1967, em Uberaba, Minas Gerais.