Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier
Capítulo 92 de 101
A candeia
1 A sombra desce de manso, O silêncio volve aos ninhos, É a noite cariciosa Que se estende nos caminhos.
2 Na casa pequena e simples Que é refúgio da pobreza, É mais densa a escuridão Que amortalha a Natureza.
3 Mas no quadro desolado Perpassa a bênção do amor, A candeia humilde e rude Clareia do velador.
4 Na sala desguarnecida Da morada carinhosa, Sua luz mostra a beleza De uma estrela generosa.
5 Aproveita-se-lhe o encanto Na esfera da utilidade, Mas quase ninguém lhe vê O espírito de humildade.
6 Seu processo de ajudar, Nas sombras da noite escura, Revela lição sublime Ao plano da criatura.
7 Por servir de fonte calma Ao clarão bondoso e amigo, Ela queima a provisão De tudo que tem consigo.
8 Consome o óleo, a torcida, Perde o brilho, perde a graça, Suporta o calor do fogo, Sofre o assédio da fumaça.
9 E guarda, com Deus, a glória De haver produzido o bem, Sem ferir qualquer pessoa, Sem prejuízo a ninguém.
10 Quem deseje iluminar, Proceda como a candeia: A si mesmo se ilumine Sem reclamar luz alheia. Casimiro Cunha