Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 71 de 101

A enchente

1 O quadro é lindo e imponente Na calma da Natureza, A massa d’água é mais bela, Mais suave a correnteza.

2 O rio enorme extravasa, Conquistando as cercanias, Encaminha-se às baixadas, Desce às furnas mais sombrias.

3 A torrente dilatada Estende a dominação, Refresca e fecunda o solo Nas zonas de plantação.

4 Mas, em haurir-lhe a grandeza, Os bens, a virtude, a essência, Precisa-se em toda parte Muita luta e previdência.

5 Aterros, diques, cuidados, Trabalhos e sacrifícios, Todo esforço é necessário Por colher-lhe os benefícios.

6 Sem isso, reduz-se a enchente Às grandes devastações, Ameaças, lodo e vermes, Mosquitos, flagelações.

7 A abundância generosa Foi vista e considerada; Entretanto, a imprevidência Guarda a lama envenenada.

8 Reconhecendo a beleza Deste símbolo profundo, Podemos ver no seu quadro Muita gente deste mundo.

9 O poder, a autoridade, A fortuna, a inteligência, São enchentes dadivosas Da Divina Providência.

10 Mas, se o homem não vigia, É várzea que inspira dó. A abundância não lhe deixa Mais que lodo, lixo e pó. Casimiro Cunha