Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier
Capítulo 64 de 101
O vento
1 Quando passes no caminho, Dando luz ao pensamento, Não deixes de meditar Na doce missão do vento.
2 Quem lhe imprimiu tanta força? Donde vem? De que maneira? Parece o sopro do céu Alentando a sementeira.
3 Une as frondes amorosas, Acaricia a ramagem, É um fluido caricioso Amenizando a paisagem.
4 É o mensageiro bondoso Da alegria e da abundância, Trocando os germens da vida, Vencendo a noite e a distância.
5 De outras vezes é um amigo Com fraternas exigências, Que pratica nos caminhos Profundas experiências.
6 Se a flor é infiel à seiva Que lhe deu força e guarida, O vento condu-la ao chão, Só deixando a flor da vida.
7 Seu papel na Natureza Vai da vida, à seleção, Permutando os germens puros Das sementes de eleição.
8 Também, na vida da Terra, A função do sofrimento Parece identificar-se Com os fins da missão do vento.
9 Troca ele as nossas almas, Mata as flores da ilusão, Refunde os nossos valores Em nova fecundação.
10 O turbilhão de amargores É mais vida envolta em véus, Povoando a nossa estrada Com os germens da luz dos Céus. Casimiro Cunha