Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 36 de 101

A lenha

1 Essa lenha pobre e seca, Que se entrega com bondade, É sugestão do caminho E exemplifica a humildade.

2 Já pensaste em seu passado? Um lenho seco… que era? Talvez o galho mais lindo Dos dias da primavera.

3 Quem sabe? Talvez um tronco, Terno abrigo nos caminhos, Um palácio nobre e verde De flores e passarinhos.

4 No entanto, em missão de auxílio, Com santa resignação, Não se nega a cooperar Nas máquinas a carvão.

5 Em noite chuvosa e fria, Ela é a doce companheira Que aquece as recordações, Crepitando na lareira.

6 Ao seu calor, os mais velhos Acham prazer na lembrança; Os mais moços a alegria De comentar a esperança.

7 Morrendo animosamente, Em chamas de luz e graça, Ela sabe que é de Deus, Por isso trabalha e passa.

8 Se viveu rindo e cantando, Entre seivas e prazeres, Com os mesmos encantamentos, Cumpre os últimos deveres.

9 Ah! quão poucos na jornada Convertem reminiscências Em calor, vida e perfume De novas experiências!…

10 Mas chega o dia em que o homem, Sem combater, sem negar-se, Precisa, como essa lenha, Da coragem de apagar-se. Casimiro Cunha