Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 25 de 101

O barro e o oleiro

1 É um exemplo de bondade O esforço nobre do oleiro, Cuja grande atividade Tem a base no lameiro.

2 Muitos sentem aversão Por sua tarefa hostil, Dedicada, dia e noite, Ao barro nojento e vil.

3 Seu trabalho é quadro rude Que a lama invade e não poupa, É barro, por toda a parte No rosto, nas mãos, na roupa.

4 Seu serviço é tão ingrato Junto à massa indefinível, Que a tarefa mais parece Um sofrimento invencível.

5 Mas todo barro mais pobre, Ao toque do seu amor, Fornece os vasos divinos De formosura e valor.

6 Quanto mais tempo e trabalho, Mais triunfa, mais se ufana… E vemos a lama escura Transformada em porcelana.

7 Além dessas joias raras De sublimes expressões, É o oleiro quem dá corpo As vossas habitações.

8 O tijolo faz a casa, A telha cobre a mansão, O homem ganha o seu lar Que é templo do coração.

9 Nas estradas de miséria, Não mais éramos que lama, E eis que o Mestre no Evangelho Nos esclarece e nos chama.

10 O Cristo é o Divino Oleiro Que opera com perfeição; Somos nós o barro vil, Guardado na sua mão. Casimiro Cunha