Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier
Capítulo 22 de 101
A cangalha
1 Nos círculos de serviço, Toda a gente que trabalha Nem sempre sabe entender A nobreza da cangalha.
2 Não fosse ela, entretanto, Que atende, promete e faz, E talvez o campo inteiro Viveria estranho à paz.
3 Convenhamos na prudência Que vem do rifão de antanho — Basta, às vezes, uma ovelha Para perder o rebanho.
4 O muar deseducado, Que a força brutal anime, Nunca perde ensejo ao coice E está sempre pronto ao crime.
5 Vive ao léu, ameaçando A golpes de grosseria; Aparentando brandura, Transborda selvageria.
6 Transforma-se, comumente, No animal rude e vilão, Que se esquiva do trabalho, Por preguiçoso e ladrão.
7 Todavia, chega o instante Em que a cangalha, bondosa, Comparece orientando, Honesta, laboriosa.
8 Ligada por laço forte Ao amigo da indolência, Dá-lhe os bens da utilidade Em luzes de experiência.
9 Perguntemos a nós mesmos, Notando-a, modesta e bela, Quais os homens deste mundo Que podem viver sem ela.
10 O dever, como a cangalha, Que tanta grandeza encerra, É a balança de equilíbrio Nas vidas de toda a Terra. Casimiro Cunha