Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 20 de 101

A enxada

1 No conjunto dos trabalhos, A enxada pobre e esquecida É uma agulha generosa Que borda o lençol da vida.

2 Com desvelos carinhosos, Faz o berço às sementeiras, Protege os rebentos frágeis, Traçando caminho às leiras.

3 Essa agulha delicada, Vibrando de pólo a pólo, Aperfeiçoa a paisagem, Lançando mais vida ao solo.

4 Obediente e bondosa, Coopera com o lavrador, E onde passa costurando, Eis que o chão transborda em flor.

5 Devem-lhe muito os celeiros Na colheita farta, imensa, Mas a enxada dadivosa Nunca pede recompensa.

6 Seu prazer está nas lutas, Nos trabalhos naturais; Alguém lucra em seus esforços? Mais serviço e terás mais.

7 Não sabe se há chuvas fortes, Se há calor de requeimar, Disposta sempre ao possível, Tem gosto de trabalhar.

8 Modesta, criteriosa, Atende ao labor que a chama, Fiel ao bom lavrador, Executa o seu programa.

9 Instrumento valoroso, Que não trai nem esmorece, Exemplifica no mundo A humildade que obedece.

10 Imagina a tua glória, Teu triunfo jamais visto, Quando fores boa enxada Nas divinas mãos do Cristo. Casimiro Cunha