Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 14 de 101

O cajado

1 Quem faça viagem longa, Se é prudente e ponderado, Jamais pode prescindir Do concurso de um cajado.

2 Conduzir arma de fogo Ultrapassa a obrigação, Evite-se a qualquer preço A morte e a destruição.

3 Entretanto, é indispensável, Nas surpresas do caminho, Que se guarde alguma cousa Contra a pedra, contra o espinho.

4 O bordão é companheiro, Não se aflige, não se assusta; Permanece na defesa Do esforço da causa justa.

5 Pode agir sem destruir, Cede apoio com proveito, Prestativo, atencioso, Infunde calma e respeito.

6 Desvia o curso à serpente, Traça rotas, vence o mato, Em todas as latitudes, O bordão é herói no tato.

7 Sonda o leito do caminho, Pratica a verdade e o bem, Onde há fogos e perigos, Informa como ninguém.

8 Com seu auxílio é possível Prosseguir e caminhar, O próprio cego dos olhos Não precisa estacionar.

9 Reparando-se, porém, No ensino a que o quadro alude, A jornada é nossa vida, O bordão, nossa atitude.

10 Segue honesto, a passo firme, De espírito sossegado, Não sofras pelo dinheiro, Mas conserva o teu cajado. Casimiro Cunha