Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 2 de 101

A fazenda

1 O dia vem longe ainda, Fulgura o brilho estelar… Mas nos campos da fazenda É hora de trabalhar.

2 O dever chama aos serviços Da luta risonha e sã, Na divina voz das aves Que cantam pela manhã.

3 A tarefa atinge a todos Nos roçados, no paiol, Tudo expressa movimento Precedendo a luz do sol.

4 Ali, corta-se, acolá Dispõe-se de novo a leira, Aqui, combate-se os vermes Que atacam a sementeira.

5 Ninguém para. Todos lutam. Há cantares da moenda, Contando a história do açúcar Nos caminhos da fazenda.

6 Entretanto, se o programa É repouso, calma e sono, Em breve, a propriedade Vive em trevas do abandono.

7 Serpentes invadem campos, Há cipó destruidor, O mato chega às janelas, Procurando o lavrador.

8 Enquanto a enxada descansa Esquecida e enferrujada, A casa desprotegida Prossegue na derrocada.

9 Quem não vê na experiência Tão simples, tão conhecida, A zona particular Nos quadros da própria vida?

10 Rico ou pobre, fraco ou forte, Não te entregues à inação, Que a vida é a fazenda augusta Guardada na tua mão. Casimiro Cunha