Bazar da Vida · Jair Presente · Chico Xavier
Capítulo 6 de 21
Sequestro
1 No sentido de ampliar Os pensamentos do Bem, É que ouso comentar A lição que vi do Além.
2 A viúva nobre e rica, Dona Cecília Trindade, Tinha um filho e duas filhas Com destaque na cidade.
3 Certo dia, junto ao filho, Tão pálida quanto a cera, Mostra-lhe Dona Cecília A carta que recebera.
4 Era um texto repulsivo De cruel sequestrador Que lhe falava na escrita Com menosprezo e rancor
5 Que ela atendesse sem falta, No que se punha a intimá-la, Cinquenta milhões, não menos, Ou, então, a morte a bala…
6 Que colocasse o dinheiro Por entre jornais em monte, Certa noite, em certa hora, Debaixo de antiga ponte.
7 Nada dissesse à polícia, Que agisse de “lábio mudo” Nada falasse a ninguém, Se não mudaria tudo…
8 Rogava ao filho conselho Contra o esperto marginal, Esperando recorrer Ao tato policial.
9 Mas o moço respondeu: — “Escute, mamãe querida, Nisso tudo, apenas vejo A bênção de sua vida.
10 “É preciso resguardar Seus santos cabelos brancos, Essa quantia é migalha Do que já possui nos bancos.
11 “Convém se evite a polícia, Ponha o dinheiro em jornais E fique livre de vez Da mira de marginais.”
12 Mas a senhora, ao contrário, Foi à polícia em segredo, Pediu providências claras, Falando firme e sem medo.
13 Orientada, a capricho, Por antigo delegado, Colocou todo o dinheiro Sobre o terreno indicado.
14 A nobre dama, a distância, Ficou serena, a contento, Queria ver o desfecho Do triste acontecimento.
15 Em hora escura da noite, Um mascarado chegava, Sem ver os homens atentos Da guarda que o vigiava.
16 Quando tomou do pacote, Eis que a polícia o esfacela… Descobriu-se, então, que o morto Era o próprio filho dela. Jair Presente