Bazar da Vida · Jair Presente · Chico Xavier
Capítulo 4 de 21
Para servir e amar
1 Amigo, você me pede Para que o livre das crises, Queixando-se amargamente Dos momentos infelizes;
2 Diz haver chorado tanto Que hoje é um pobre sofredor, Arrastando a dura carga De desenganos do amor.
3 Decerto, você julga em mim Um companheiro eminente, Mas sou apenas Jair, O amigo Jair Presente;
4 Um pequeno servidor, Procurando sem alarme, Entre as pedreiras da vida O processo de encontrar-me.
5 Você sabe: a evolução Não aparece de estalo… Sinceramente, não sei O modo de consolá-lo.
6 Sabendo, porém, que a dor É disciplina de lei, Anoto para conversa Um caso que acompanhei.
7 Junto a uma estrada de barro Em que eu fazia ida e vinda, Via sempre admirado Uma cana nobre e linda.
8 Dava gosto vê-la enorme A balançar-se no vento E pensava: “o que seria Do seu tronco suculento?”
9 Certo dia, veio um homem E atacou-a de facão, Depois, cortou-a aos pedaços Sem que eu soubesse a razão.
10 Ao valente cortador Que estava de boa veia, Supliquei para segui-la E, atônito, acompanhei-a.
11 Ela foi largada a um canto, Depois, levada à moenda, Foi triturada, de todo, Para o açúcar na fazenda.
12 A cana altaneira e bela Tinha um dever a cumprir: Submeter-se à moenda Para a missão de servir.
13 A vida é assim, meu caro, Para ter o dom de amar, Qualquer pessoa no mundo Há de sofrer e chorar.
14 Se você chora, recorda Que Deus cuidará de si. Lembra o episódio da cana; Amar é sempre isso aí. Jair Presente