Bazar da Vida · Jair Presente · Chico Xavier
Capítulo 15 de 21
Tia e sobrinho
1 Eis-me a trazer-vos a história, Estranha como se diz, Do fato que sucedeu A um amigo — o Téo Muniz.
2 Ele chegara aos quarenta… Morava com garbo e graça Com velha tia, contando Noventa e lá vai fumaça.
3 Ela, viúva, fizera Testamento em pergaminho, Sem outros quaisquer parentes, Deixara tudo ao sobrinho.
4 O moço, olhando o futuro, Pela ambição desmedida, Dava-lhe os nomes mais ternos: — “Meu tesouro”, “mãe querida…”
5 Ele adulava a velhinha, Ela adorava o rapaz, Unidos, constantemente, Viviam em doce paz.
6 Mas veio um dia difícil… A tia surgiu doente, O rapaz fez-se-lhe apoio No carinho permanente.
7 Exames. Medicamentos. Inquietações. Agonias. Problemas multiplicados Chegavam, todos os dias.
8 A velhinha, certa noite, Em silêncio, estremeceu… Notando-a imóvel, de todo, Disse a enfermeira: “morreu…”
9 O sobrinho desolado Debruçou-se sobre a tia; Chorando, viu-a parada, O coração não batia.
10 Veio o médico. No exame, Faz testes, explica, exorta… Num colapso profundo A doente estava morta.
11 Entretanto, quis mais provas, Um companheiro traria; Então, daria o atestado De óbito no outro dia…
12 A casa, de imediato, Transformou-se num velório, Testemunhos de pesar, Condolências. Falatório.
13 Téo chorava na aparência, Pois, ganhando o paparico De quantos vinham a ele, Sabia-se muito rico.
14 A herança era muito grande. A tia deixava rendas, Muitas lojas de aluguel, Terras, galpões e fazendas.
15 Entretanto, ao dia claro, A morta estava a mexer, Aquele corpo cansado Começara a reviver.
16 Veio médico. Auscultou-a, Dizendo com alegria Que ela somente sofrera, Grave catalepsia.
17 Desiludido e assustado, Téo caiu, em desconforto… Dando entrada no hospital, O coitado estava morto. Jair Presente