Baú de casos · Cornélio Pires · Chico Xavier

Capítulo 21 de 21

Problema de fé

1 Você nos pede notícias, Caro Juca Sumaré, Sobre a maneira precisa, Com que hoje vejo a fé.

2 É uma questão complicada, Junto à qual você me encosta, No entanto, a boa vontade Tem sempre alguma resposta.

3 De uma vida para outra Não é como você pensa, Fé naquilo que imagino Mostra pouca diferença.

4 Depois da morte, meu caro, A ideia é de cada qual, Assunto de confiança Pertence à vida mental.

5 A fé completa, a meu ver, Mais se parece a uma estrela E a pessoa luta muito Até que possa obtê-la.

6 A confiança é um tesouro Que se a junta devagar, O Espírito vai sofrendo E aprendendo a confiar.

7 Sobretudo, antes do berço, Pedindo reencarnação, É que muita gente boa Vai de lição em lição.

8 Muito amigo diz ter fé, Suplica luta violenta, Nasce, cresce, entra na prova, Diz depois que não aguenta.

9 Você recorda Altalino, Fazia votos de fé, Vendo a casa em sofrimento, O coitado deu no pé.

10 Antônio afirmava sempre Ser crente de força e raça, Abandonado por Joana Projetou-se na cachaça.

11 Tintina orava solene, Mas vendo a morte do Meira, Quebrou a imagem da santa Que trazia à cabeceira.

12 Era médium valorosa Dona Licota de Andrade, Notando o esposo doente, Largou a mediunidade.

13 Outro médium de importância, Era Quincota do Coentro, Vendo o pai acidentado, O rapaz fugiu do Centro.

14 Dizia ter fé gigante Nosso irmão Délio da Luz, Entrando na viuvez, Nada mais quis com Jesus.

15 Vendo um filho em provação, A médium Cora Farias, Abandonou a sessão, Xingando todos os guias.

16 De prova em prova na estrada Na evolução que se ajeita, Um dia, teremos todos A fé sublime e perfeita.

17 Mas, por enquanto, meu caro, Deus que é o Pai do Sumo Bem Ampara cada pessoa Conforme a fé que se tem. Cornélio Pires