Antologia dos Imortais · F. C. Xavier. — Waldo Vieira · Chico Xavier

Capítulo 109 de 116

Osório Pais

O LEMA DA VIDA

1 Um dia, perguntei ao Sol: que fazes Para fulgir no eterno alvorecer?

O astro divino respondeu, brilhando:

— Ajudar e esquecer!

2 Interroguei à árvore: que fazes n Para florir, amar e frutescer?

Ela, embora ferida, falou calma:

— Ajudar e esquecer!

3 Interpelei, depois, o pão: que fazes Para ser vida e bênção no dever?

O pão amigo acrescentou, sereno:

— Ajudar e esquecer!

4 E disse à fonte límpida: que fazes Para dar-te à renúncia por prazer?

Atada ao solo, resumiu cantando:

— Ajudar e esquecer!

5 A própria terra consultei: que fazes Para tudo alentar e refazer?

Maternalmente, replicou, bondosa:

— Ajudar e esquecer!

6 Alma, se aspiras à ascensão sublime Na luz do amor, sem nunca esmorecer, Guarda o lema da vida em toda parte:

— Ajudar e esquecer!

[1] OSÓRIO PAIS — Informa Liberato Bitencourt, em sua obra Homens do Brasil, vol. II, que Osório Pais estudou em João Pessoa e, aos dezesseis anos, se entregou ao comércio. Abandonando, depois, a vida comercial, seguiu para a Bahia, onde se diplomou em Odontologia. “Alma boêmia, foi um poeta lírico, um trovador espontâneo, tocador de violão e fazedor de serenatas — escreveu Luiz Pinto em sua Col. de Poetas Paraibanos —, continuando mais adiante: “A sua colaboração nos jornais e revistas da Paraíba e do Brasil ficou muito esparsa, dela não havendo notícia segura. Era arredio, por índole, a instituições culturais.” E o mesmo autor, Luiz Pinto, é quem afirma em seu livro Cad. de Poetas Brasileiros, pág. 47: “Uma das vocações poéticas mais belas que conheci na Paraíba foi a desse inveterado boêmio, de bondade extrema.” (Alagoa Grande, Paraíba, 14 de Junho de 1886 — João Pessoa, Paraíba, 24 de Abril de 1949.) BIBLIOGRAFIA: Primícias, versos.

[2] Verso 5 - Leia-se com hiato: “In/ter/ro/guei/ à/ ár/vo/re.”

[3] Verso 24 - “O Lema da Vida” tem relação com o próprio poeta, cuja última fase de existência foi — segundo afirma Luiz Pinto — “de desânimo, por causa das decepções e da doença”. O bordão “Ajudar e esquecer”, neste poema, constitui extraordinário efeito expressional. — Bordão: “É um VERSO que se repete, intencionalmente, como RITORNELO, no fim de várias ESTROFES,…” (Geir Campos, Op. cit.)