Antologia dos Imortais · F. C. Xavier. — Waldo Vieira · Chico Xavier
Capítulo 92 de 116
Cunha Mendes
ASAS
1 Terra, nada reténs que o verme não carcoma!… Tudo nasce e caminha ante o poente aziago… Toda pompa a luzir, qual furacão num lago, Túrbida agitação sobre a undiflava coma…
2 Na urna de Moisés vês longínqua redoma; No fausto de Alexandre, um painel triste e vago… A cinza sepulcral dos salões de Cartago Soterrou no silêncio os mármores de Roma…
3 Duas asas, porém, na rota em que flutuas, Sustentam-te, no Espaço, impassíveis e cruas, Nenhuma alteração que, leve, as entrecorte.
4 Libram com Deus e a Vida, em suprema conquista… Tribos, povos, nações… Nada que lhes resista… Uma — a clava do Tempo; outra — a sega da Morte! [1] Antônio CUNHA MENDES — Depois de ter publicado seus primeiros versos em alguns jornais de seu Estado natal, e aí pertencido à “Padaria Espiritual”, C. Mendes transferiu-se para S. Paulo, onde concluiu o curso de Direito e dirigiu a Revista do Brasil, que apresentava colaboradores do gabarito de Emílio Kemp, Carvalho Aranha, Amadeu Amaral e outros. Escreveu em revistas simbolistas e em jornais da época, como O Paiz, do Rio, principalmente em versos. Exerceu a advocacia no Rio e, depois, em S. Paulo. Foi também romancista. (Maranguape, Ceará, 15 de Março de 1874 — S. Paulo, 2 de Junho de 1934.) BIBLIOGRAFIA: Lyriss, poemeto; Poesias; etc. [2] Verso 5 - Leia-se com hiato: Na/ ur/na. [3] Verso 8 - Aliteração em s.
[4] Verso 14 - Observe-se a semelhança de estilo, só pelo primeiro quarteto da joia de 14 versos que começa com “Noute, abrigo dos maus! Trevas, calmos ensombros”, dedicado a Samuel Porto: “Noute, abrigo dos maus! Trevas, calmos ensombros Do covarde, do nu, do triste e do cansado; Enche d’alma arruinada os sórdidos escombros Com a mudez funeral de túmulo fechado!” (Apud Pan. IV, pág. 243.)