Antologia mediúnica do Natal · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 26 de 36

Natal na aldeia - Antônio Corrêa D’Oliveira

1 Natal!… O trigo na azenha, Água correndo a cantar!… A lareira pede lenha, Fagulhas brincam no ar.

2 Natal! Ah! saudade minha!… Cantiga do coração!…

A taleiga de farinha Amassa a estriga do pão.

3 Na sombra que envolve a terra, Oiteiros acendem lume. Do bragal que se descerra Chegam vagas de perfume.

4 À janela, erguem-se vozes… — “Pastores ternos, quem sois?!…” Meninos voam às nozes; Quanta alegria depois!…

5 Na sala que se alvoroça, Surge um velho sem ninguém. Diz o dono: “A casa é vossa E a mesa é vossa também…”

6 Próvida e grande candeia Faz luz sob o teto morno; Espalha-se em toda a aldeia O alegre cheiro de forno.

7 Há canções claras e puras, Nas sebes tintas de breu: — “Glória ao Senhor nas Alturas!… Hosanas!… Jesus nasceu!…”

8 Um mocho pia de leve No velho beiral vizinho … Não sei se é chuva ou se é neve Que o vento lança ao caminho!…

9 Meia-noite!… Dons supremos!… Calam-se os próprios lebréus. Roga a avozinha: — “Louvemos!… Pai nosso que estás nos Céus!…”

10 Soluços da alma contente… Doce visão do Natal!… Deus vos salve eternamente, Lembranças de Portugal! Antônio Corrêa D’Oliveira