Alma e Luz · Emmanuel · Chico Xavier

Capítulo 9 de 21

Mortos

1 Há sempre numerosos mortos em nossa luta de cada dia, convocando-nos à prece da diligência e da bondade.

2 Mortos que jazem muito mais impassíveis que os outros — aqueles que, por vezes, julgais sentenciados à cinza e à separação.

3 Há usurários, inermes, em túmulos de ouro.

4 Há dominadores da carne, encerrados em sarcófagos imponentes de orgulho falaz.

5 Há juízes inumados em covas de lama.

6 Há legisladores mumificados em terríveis enganos da alma.

7 Há sacerdotes enterrados em brilhantes mausoléus de simonia e administradores encarcerados em urnas infernais de inconfessáveis compromissos.

8 Há jovens mortos no vício e velhos amortalhados no frio do desencanto.

9 Há sábios enrijecidos no gelo da indiferença e heróis cristalizados em ataúdes de medalhas faiscantes.

10 Há criaturas impulsivas em sepulturas de espinhos e mentes preguiçosas em sepulcros de miséria.

11 Se proclamardes a verdade para essas almas cadaverizadas no esquecimento da Lei divina, decerto responder-vos-ão com a inércia, com a ironia, com a imobilidade e com a negação.

12 Para semelhantes retardados de espírito pronunciou o Senhor as inesquecíveis palavras: — “Deixemos aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos”.

13 Procuremos, pois, a vida, descerrando nosso coração ao trabalho constante do Bem infinito, porque, em verdade, só aquele que aprende e ama sempre, renovando-se sem cessar para a Luz, consegue superar os níveis inferiores da treva, subindo, vitorioso, ao encontro da vida imperecível, com eterna libertação. Emmanuel (Brasil espírita, dezembro 1956, p. 3)

[1] Essa mensagem foi publicada em dezembro de 1956 na revista Brasil espírita e é a 65ª lição do 3º volume do livro “O Evangelho por Emmanuel” da FEB. — Esse capítulo foi restaurado: Texto do livro impresso.