O Livro dos Espíritos · Allan Kardec

Capítulo 57 de 67

55 e 56.

[XI]

(Páginas)

1 É estranho, acrescentam, que só se falem dos Espíritos de personagens conhecidas e perguntam por que são eles os únicos a se manifestarem.

2 Eis aí um erro, oriundo, como tantos outros, de observação superficial. Dentre os Espíritos que vêm espontaneamente, há maior número de desconhecidos que de ilustres, designando-se os primeiros por um nome qualquer e muitas vezes por um nome alegórico ou característico.

3 Quanto aos que se evocam, a menos que seja um parente ou amigo, é muito natural que nos dirijamos aos que conhecemos, de preferência aos que nos são desconhecidos.

4 O nome das personagens ilustres impressiona mais e é por isso que são mais notadas.

5 Acham também muito singular que os Espíritos de homens eminentes atendam familiarmente ao nosso apelo e se ocupem, às vezes, com coisas insignificantes, em comparação com as grandes coisas que realizavam durante a vida.

6 Isso nada tem de estranho para os que sabem que o poder ou a consideração de que esses homens gozaram neste mundo não lhes dá nenhuma supremacia no mundo espiritual.

7 Nisto, os Espíritos confirmam estas palavras do Evangelho: “Os grandes serão rebaixados e os pequenos serão elevados”; que devem ser entendidas como se referindo à posição que cada um de nós ocupará entre eles.

8 É assim que aquele que foi o primeiro na Terra poderá ser um dos últimos no mundo espiritual.

9 Aquele diante de quem curvávamos aqui a cabeça, pode, portanto, vir entre nós como o mais humilde operário, porque, ao deixar a vida, deixou toda sua grandeza, e o mais poderoso monarca talvez lá se encontre abaixo do último de seus soldados. >>>